A força dos ventos

20 de junho de 2014 -

Potencial eólico do interior baiano supera a capacidade de geração de energia das seis  maiores hidrelétricas do mundo juntas. Estado já soma R$ 10 bilhões em investimentos no  setor até 2017

Impulsionada pela força dos ventos, a Bahia tem potencial para se posicionar como o principal estado exportador de energia elétrica do país. A constatação é do consultor em energia Paulo Emiliano Piá de Andrade, da Camargo Schubert. Entre 2012 e 2013, Andrade esteve à frente de uma equipe de dez engenheiros que mapeou a capacidade do estado de produzir energia eólica. “Detectamos que o interior baiano é uma espécie de pré-sal dos ventos”, diz.

O trabalho da Camargo Schubert, que resultou no Atlas Eólico da Bahia, concluiu que, utilizando a melhor tecnologia atual, com aerogeradores instalados em torres com 100 metros de altura, e aproveitando ventos que sopram a 7 metros por segundo (m/s), o estado reúne condições de instalar turbinas capazes de gerar 70 mil megawatts (mw) de potência elétrica, o que é dez vezes mais do que a Bahia produz hoje reunindo todas as fontes de geração disponíveis no estado. O total também supera a potência instalada das seis maiores hidrelétricas em operação no mundo. Três Gargantas, na China; Itaipu, na divisa do Paraguai com o Brasil; Tucuruí I e II, no Brasil; Guri, na Venezuela; Grand Coulee, nos Estados Unidos; e a russa Sayano-Shushenskaya somam 66.929 mw.

A produção de 70 mil mw requer que uma área de 26.998 quilômetros quadrados seja ocupada por torres eólicas. É uma grande extensão, que supera em seis vezes a Região Metropolitana de Salvador. Mas, como observa Andrade, uma vantagem da energia eólica é que os parques aerogeradores não exigem dedicação exclusiva do terreno, sendo compatível o compartilhamento da área com outras atividades econômicas, como a produção agropecuária, por exemplo. A instalação de usinas geradoras no mar também é viável, mas por um custo maior do que em terra. Se a Bahia, mesmo assim, decidir explorar seu potencial eólico offshore, instalando turbinas em águas com até 50 metros de profundidade em torres com 100 metros de altura e aproveitando ventos a 7 m/s, somaria outros 77.400 mw à sua capacidade eólica, informa a consultoria.

Em breve, estima-se que o potencial de geração elétrica com o vento será ainda maior. A indústria de equipamentos eólicos já desenvolve aerogeradores a serem instalados a 150 metros de altura. Nessas condições, a equipe da Camargo Schubert constatou que o potencial eólico baiano chega a 195 mil mw com a ocupação de uma área em terra de 75.180 quilômetros quadrados. Com essa capacidade podem-se produzir 766 terawatt-hora/ano (twh/ano), o que é praticamente uma vez e meia o total de eletricidade que foi consumido em todo o Brasil em 2012. No mar, as torres de 150 metros permitiriam a geração de mais 87.500 mw. O potencial eólico baiano apontado no estudo leva em consideração apenas a ocupação de áreas onde a instalação de parques aerogeradores não causa significativos impactos ambientais. Exclui, por exemplo, regiões de proteção ambiental integral, terras indígenas, áreas urbanas ocupadas por obras de infraestrutura e ainda terrenos em que as condições de solo não são adequadas.

O trabalho da Camargo Schubert destacou sete regiões em terra que reúnem condições privilegiadas para a instalação de usinas eólicas. Utilizando-se apenas essas áreas, é possível a geração de 44.300 mw em torres de 100 metros de altura. São elas: a região de Sobradinho, Sento Sé e Casa Nova, que tem potencial para 6.200 MW; a região das serras Azul e do Açuruá, que tem uma capacidade para 7.600 mw; o Morro do Chapéu, que pode receber equipamentos para a geração de 10 mil mw; a serra do Estreito, onde o potencial é de 2.400 mw; a serra do Tombador, com capacidade para 9 mil mw; a serra do Espinhaço, que pode receber equipamentos capazes de gerar 5.600 mw; e a região que abrange Novo Horizonte, Piatã, Ibitiara e Brotas de Macaúbas, onde podem ser instalados parques capazes de gerar 3.500 mw; e a região que abrange Novo Horizonte, Piatã, Ibitiara e Brotas de Macaúbas, onde podem ser instalados parques capazes de gerar 3.500 mw. “Todo o Nordeste brasileiro reúne boas condições para a geração de energia eólica, mas nenhum estado apresenta o mesmo potencial que a Bahia”, diz Andrade. Isso é consequência de dois fatores, informa o consultor. Um é a vasta extensão de áreas no estado propícias à instalação de parques de geração, como o estudo demonstrou. O outro fator é a condição dos ventos que sopram sobre a Bahia. A direção dos ventos varia pouco, predominando o sentido leste-oeste. No estado também predomina a ocorrência de ventos com velocidades médias elevadas, o que permite o uso de 45% a 55% da capacidade dos aerogeradores. Para efeito de comparação, na Alemanha, terceiro maior produtor eólico do mundo – com uma produção de 32.300 mw –, aproveita-se entre 15% e 20% da capacidade do equipamento.

Além disso, na Bahia os ventos extremos são de baixa intensidade e frequência. Isso permite que as turbinas eólicas sejam projetadas de forma a privilegiar a performance energética, em vez da robustez. “Poucos lugares no mundo reúnem condições tão favoráveis”, diz Andrade. A Bahia tem ainda uma vantagem comercial em relação aos demais estados nordestinos, a maior proximidade com os centros consumidores de energia do Sudeste, reduzindo o custo de transmissão.

Onde o vento sopra melhor
As principais regiões para investir em parques eólicos

mapavento

Fonte: Atlas eólico – Camargo Schubert

1 Sobradinho, Sento Sé e Casa Nova
A região conta com ventos superiores a 7 m/s, a 100 m de altura, e comporta uma capacidade equivalente a 6,2 GW em energia eólica. A Usina Hidrelétrica de Sobradinho é um possível ponto de conexão ao sistema elétrico.

2 Região das serras Azul e do Açuruá
Na serra do Açuruá os ventos alcançam médias anuais de 8 a 9 m/s nas maiores elevações, a 100 m de altura. Na serra Azul os ventos médios anuais são de até 8,5 m/s, a 100 m de altura. A região é cortada por uma linha de transmissão de 230 kV, que interliga as subestações de Irecê e Bom Jesus da Lapa. Estima-se um potencial de cerca de 7,6 GW.

3 Morro do Chapéu
Os ventos médios anuais chegam a 9 ou 9,5 m/s nas melhores áreas. Parques eólicos já estão em fase de projeto na região, onde é prevista a instalação da subestação de Morro do Chapéu, a qual será interligada a uma linha de transmissão de 230 kV. A capacidade potencial da área é de 10 GW.

4 Serra do Estreito
A serra do Estreito possui uma extensão aproximada de 110 km, retilínea, razoavelmente plana na porção elevada e com rugosidade caracterizada por vegetação principalmente arbustiva, sobre a qual a velocidade do vento atinge 8 m/s, a 100 metros de altura, nas melhores áreas. A subestações mais próximas ficam nas cidades de Barra e Xique-Xique, a 30 km e 70 km respectivamente, com conexões para 69 kV. O potencial é estimado em 2,4 GW em locais com ventos acima de 7 m/s, a 100 m de altura.

5 Serra do Tombador
Os ventos médios anuais da região situam- -se na faixa de 8 m/s, podendo alcançar 9,5 m/s em sítios específicos. Estima-se que comporte uma capacidade para 9 GW em energia eólica nos locais com ventos médios superiores a 7 m/s, a 100 m de altura. A área é próxima da subestação de Senhor do Bonfim, conectada ao Sistema Interligado Nacional através de uma linha de transmissão de 230 kV.

6 Serra do Espinhaço
Destacam-se as proximidades das cidades de Caetité, Pindaí e Guanambi. Nos melhores lugares, os ventos médios anuais podem chegar a 9,5 m/s, e as áreas com ventos médios superiores a 7 m/s, a 100 m de altura, podem comportar uma potência de 5,6 GW. Parques eólicos já em operação na região são servidos pelas subestações de Igaporã I, II e III e Pindaí II, com linhas de transmissão de 230 kV e 500 kV.

7 N ovo Horizonte, Piatã, Ibitiara e
Brotas de Macaúbas
O vento possui velocidade média anual entre 7,5 e 8,0 m/s. A capacidade potencial para a área é estimada em 3,5 GW em locais com ventos acima de 7 m/s, a 100 m de altura. Atendendo a empreendimentos eólicos já instalados na região, o sistema elétrico conta com uma subestação em Brotas de Macaúbas, conectada a uma linha de transmissão de 230 kV. Ao sul, a subestação de Ibicoara está conectada em 500 kV.

Fonte: At las Eólico – Camargo Schubert

SEGUNDO MAIOR PRODUTOR

Este conjunto de fatores favoráveis à geração eólica já impulsiona uma série de  investimentos no estado. A Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM) estima que até 2017 sejam realizados investimentos privados de pelo menos R$ 10 bilhões, tanto na formação de parques eólicos quanto na instalação de indústrias de equipamentos aerogeradores. Até 2009 a Bahia não contava com nenhum projeto no setor, apesar de as primeiras iniciativas brasileiras na área datarem do início dos anos 1990. No final de 2013, porém, já eram 132 os projetos de geração com contratos já negociados em leilões promovidos pelo Ministério de Minas e Energia para o fornecimento em conjunto de 3.246 mw. Este total já posiciona a Bahia como o segundo estado em contratação eólica do país, atrás apenas do Rio Grande do Norte, que tem projetos negociados em leilões federais que somam 3.318 mw.

A rápida evolução da geração eólica baiana é resultado de uma estratégia do governo do estado que estabeleceu status de prioridade ao setor, informa a SICM. Entre as medidas adotadas desde 2010 estão a criação de uma Câmara de Energia, responsável pela articulação do desenvolvimento eólico do estado, e a criação de um grupo multi- -institucional de suporte a empreendimentos, para facilitar o encaminhamento do licenciamento ambiental e a regulação fundiária dos projetos. Também foi desenvolvida uma estratégia para adensar a cadeia produtiva dos aerogeradores, incentivando investimentos industriais.

A expectativa da SICM é que a Bahia alcance a liderança em geração eólica já no próximo leilão de energia do país, uma vez que investidores privados já informaram ao governo estadual o desenvolvimento de projetos para a produção de mais 10 mil mw e assinaram protocolos de intenções que sinalizam investimentos de R$ 16 bilhões. “A Bahia tende a se tornar o maior produtor eólico do país em no máximo dois anos”, diz Clécio Elói, diretor da Casa dos Ventos, empresa que possui um dos maiores portfólios de projetos de usinas eólicas do país. Atualmente a Casa dos Ventos conta com parques eólicos já operando ou em implantação que somam uma capacidade de geração de 3.500 mw. Deste total, 460 mw estão em fase de construção na Bahia em duas usinas, uma em Campo Formoso, que entrará em operação em janeiro de 2016 com uma capacidade de geração de 180 mw, e outra em Itaguaçu, prevista para operar no final de 2017 com 280 mw de potência. Os dois investimentos somam R$ 1,8 bilhão até 2017.

Elói relata que a companhia tem como meta para os próximos dez anos estabelecer parques aerogeradores no país que somarão uma potência instalada de 10 mil mw, sendo que 3 mil mw deverão ter operação da própria empresa e 7 mil mw deverão ser repassados para terceiros. A Bahia ocupará posição central nessa expansão. No estado, a Casa dos Ventos já conta com áreas preparadas, ou seja, aptas a participar de leilões de energia, que podem receber turbinas aerogeradoras capazes de produzir 4 mil mw. A empresa também já desenvolve o projeto básico para outras áreas no estado que somam um potencial para mais 2 mil mw. “A Bahia responderá por mais da metade de nossa produção”, afirma.

“O Nordeste tem os melhores ventos do mundo, mas o sudoeste baiano, onde concentramos nossos investimentos, é uma mina de ventos perfeitos para a geração eólica”, diz Ney Maron, diretor de sustentabilidade da Renova Energia, companhia que administra o maior empreendimento aerogerador em operação na América Latina, o Complexo Eólico Alto Sertão I, localizado entre os municípios de Caetité, Guanambi e Igaporã. Inaugurado em 2012, após investimentos de R$ 1,2 bilhão, o complexo tem capacidade para 294 mw, energia suficiente para abastecer 540 mil residências.

Na mesma região, a empresa investe mais R$ 1,4 bilhão no Complexo Alto Sertão II, previsto para ser concluído em março deste ano, com capacidade de 386,1 mw, energia que pode abastecer uma cidade de 1,9 milhão de habitantes. A Renova Energia tem ainda dois outros projetos em desenvolvimento no estado já comercializados em leilões federais de energia ocorridos no final de 2013, informa Maron. Um terá capacidade para gerar 159 mw e o outro, 183,9 mw.

Os investimentos em geração despertaram o interesse dos fabricantes de equipamentos eólicos em também se estabelecer no estado. A paulista Tecsis, uma das maiores fabricantes de pás para aerogeradores do mundo, anunciou em 2013 um investimento de R$ 250 milhões para montar uma fábrica em Camaçari, com capacidade ainda não definida. Pércio de Souza, presidente do conselho de administração, diz que a companhia foi atraída para a Bahia pelo potencial eólico e o posicionamento logístico estratégico do estado. “O Nordeste é a região com maior potencial de crescimento na geração de energia eólica. Além disso, a proximidade dos portos de Salvador e Aratu é importante para a logística e o fornecimento para outras regiões do país e para o mercado externo”, diz.

A instalação da fábrica de pás é o último elo que faltava para a Bahia completar toda a cadeia de produção de aerogeradores em seu território. As duas primeiras indústrias de turbinas da América Latina foram inauguradas na Bahia em 2011. A espanhola Gamesa investiu R$ 50 milhões para produzir 150 aerogeradores por ano em Camaçari e agora está investindo R$ 100 milhões para capacitar a unidade a produzir, a partir de 2015, a caixa de rotor das turbinas, as chamadas nacelles.

A outra fábrica inaugurada em 2011 foi da francesa Alstom, também em Camaçari, após investimentos de R$ 50 milhões. A unidade entrou em operação com uma capacidade produtiva de turbinas capazes de gerar 300 MW de potência, ou seja, cerca de cem aerogeradores por ano, mas em 2013 a fábrica já tinha dobrado sua capacidade de produção para 200 aerogeradores por ano, ou 600 mw de potência. A Alstom também inaugurou em 2013 uma fábrica de torres em Canoas, no Rio Grande do Sul.

paseolicas

Com o vento a favor
Principais investimentos da indústria de equipamentos eólicos na Bahia

Gamesa
A empresa espanhola investiu R$ 50 milhões e produz aerogeradores em Camaçari desde 2011, com uma capacidade de produção de 150 unidades por ano. Em 2013, anunciou um novo investimento de R$ 100 milhões para fabricar nacelles (caixa do rotor do aerogerador) com capacidade instalada de 400 MW/ano. A nova linha de produção entrará em operação no início de 2015.

Alstom
A companhia francesa investiu R$ 50 milhões em uma fábrica em Camaçari. A unidade entrou em operação em 2011 com uma capacidade para cem aerogeradores por ano. Em 2013, a fábrica dobrou sua capacidade de produção para 200 turbinas.

Acciona
A espanhola Acciona foi inaugurada em março de 2013, em Simões Filho. A meta é produzir anualmente 135 cubos eólicos (peças que concentram as hélices das torres geradoras de energia).

Tecsis
A paulista Tecsis, uma das líderes mundiais na fabricação de pás para aerogeradores, prevê investimentos de R$ 250 milhões em uma unidade em Camaçari, com previsão para entrar em operação em 2015.

Torrebras
A Companhia espanhola inaugurou em 2013 a primeira fábrica de torres para aerogeradores da Bahia, em Camaçari, após investimentos de R$ 30 milhões. A unidade terá capacidade para produzir 200 torres por ano.

Fonte: empresas e SICM

Localização estratégica

Pierre François Chenevier, diretor da divisão Wind da Alstom, diz que Camaçari, além de ser uma das áreas industriais mais importantes do país, é estratégica para o mercado de energia eólica devido ao grande potencial de instalação de usinas geradoras nas suas proximidades, tanto na Bahia como em estados vizinhos. O executivo relata que a Alstom já tem sete contratos de fornecimento de equipamentos eólicos no Brasil. O primeiro, assinado em 2010, no valor de 100 milhões de euros, foi com a Desenvix para a instalação e manutenção por dez anos de um complexo de 90 mw na Bahia, já em operação. Na sequência vieram contratos com a Brasventos, para três parques eólicos no Rio Grande do Norte, outro com a Odebrecht Energia, para a instalação de parques aerogeradores no Rio Grande do Sul, depois foi fechado acordo com a Casa dos Ventos e com a Queiroz Galvão (nos dois casos para projetos em andamento no Nordeste) e, no final de 2013, com a Enerplan, para instalações no Rio Grande do Sul. Também no final do ano passado, a companhia fechou uma parceria com a Renova Energia que está sendo considerada a maior do mercado global de energia eólica, que pode gerar 1 bilhão de euros em pedidos para a instalação de projetos que somam 1,2 gw.

No ano passado, a espanhola Acciona inaugurou em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, uma fábrica com capacidade para produzir 135 cubos eólicos por ano. São as peças que concentram as hélices das torres geradoras de energia. A meta da companhia para 2014 é instalar no estado uma fábrica de montagem de nacelles, o que permitirá a produção anual de cem turbinas aw3000, o equipamento de maior potência no portfólio da multinacional. Ainda em 2013, a espanhola Torrebras inaugurou a primeira fábrica de torres para aerogeradores do estado, também em Camaçari, após investimentos de R$ 30 milhões. A unidade terá capacidade para produzir 200 torres por ano. O preço da energia eólica já é bastante

O preço da energia eólica já é bastante competitivo no Brasil. No leilão de energia do governo federal ocorrido em dezembro, o mwh foi comercializado por R$ 119,03, quando foram contratados 2.300 mw eólicos. O valor confirma a energia dos ventos como a segunda mais econômica, atrás apenas da comercializada pelas grandes hidrelétricas do país, entre R$ 90 e R$ 100 por mwh. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abee ólica), o país conta com uma capacidade instalada de 3.399 mw em 140 usinas eólicas e deve chegar a 8.700 mw até 2017. Mas, entre os investidores em energia eólica na Bahia, a aposta é que a força dos ventos do estado pode gerar resultados bem mais robustos.

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