Um coro afinado e colorido

28 de agosto de 2014 -

corocoloridoHá quem não aprecie especialmente a música vocal e se deleite mais com a profusão das conversas entre cordas, madeiras, metais e percussão da música instrumental. De todo modo, mesmo os que não curtem especialmente os vocais, se amantes da música em termos amplos, saberão reconhecer quando um coro se apresenta bem afinado, harmonioso, marcado por uma notável riqueza de sons e belos timbres bem entrosados para oferecer algo que soa como uma unidade. Essa imagem me vem de repente nos momentos finais do fechamento da segunda edição de Bahiaciência. Observo a revista como um belo e colorido coro, atravessada por uma sensação quase física do movimento das vozes que se foram somando, às vezes inesperadamente, dos fluxos de inteligência que foram convergindo para estruturar solidamente um projeto que se pode ter, enfim, concreto nas mãos. E para mim há sempre algo de apaixonante nessa construção coletiva.

Os leitores poderão perceber neste coro-revista a força das vozes do professor Roberto Santos, rico personagem da entrevista pingue-pongue desta edição, e do pneumologista Álvaro Cruz, interlocutor central na reportagem sobre as pesquisas da asma levadas a cabo por grupos baianos, elaborada pela jornalista Raíza Tourinho. Será audível a imensa contribuição ao coro dos pesquisadores Gonçalo Pereira, Daniela Thomazella, Carlos Priminho Pirovani e José Marques Pereira, além dos cacauicultores Rogério Sampaio, Edmond Ganen e Thomas Hartmann, para a bela reportagem de capa regida pela jornalista Dinorah Ereno sobre as pesquisas que permitem esperar que, daqui por diante, a ameaçadora vassoura-de-bruxa possa ser mantida sob estrito controle. Também as vozes dos pesquisadores Lílian Guarieiro e Jailson Bittencourt de Andrade, e Marcos Malta, capturadas respectivamente pelos jornalistas Fabrício Marques e Ricardo Zorzetto, ressoam nas revelações do mundo da pesquisa científica da Bahia.

O tema da capa é, aliás, ótimo pretexto para destacar a contribuição fundamental à qualidade da obra de todos que nesse espaço lidam com o visual e o gráfico. Começando por Cau Gomez, criador genial da capa, e chegando a Gentil, o excelente chargista que fecha esta edição, percorremos um caminho facilitado pelas extraordinárias imagens fotográficas de Léo Ramos e de Luciano Andrade, trabalhadas com sensibilidade por nossa editora de arte, Mayumi Okuyama, e viabilizadas espacialmente por nossa designer, Ciça Felli.

Esta obra coletiva se nutre ainda das contribuições notáveis de Glauco Arbix e Roberto Paulo Lopes, de Florisvaldo Mattos e de Rodrigo Lacerda, de José Bento Ferreira, Silvana de Souza Ramos, Juliana Serzedello e, num lance quase mágico, da ajuda de Antonio Nery Filho e Ligia Vieira, que se mobilizaram para nos contar uma história de um antigo clube de ciências tocado pelo doutor Anibal Silvany Filho, cujo filho, Paulo, ainda nos brindou com fotos dos anos 1940-1960. E não posso encerrar sem juntar a tantos nomes o do jornalista Luis Guilherme Pontes Tavares, entusiasmado e altamente colaborativo, que rapidamente, a meu pedido, enviou o livro do professor Luis Henrique resenhado e ainda nos deu notícias e imagens do “abraçaço” ao Palácio Arquiepiscopal, em 13 de agosto.

Todos nós, e mais uns tantos não citados, fizemos juntos esta revista. A mim coube honrosamente reger o coro. Torço para que apreciem!

Deixe uma resposta