Professor cria centros de estudos sobre linguagens, Recôncavo e Sertão

2 de fevereiro de 2015
© Melissa Quadrosfachada_instituto

Fachada do Instituto

Quando se mudou do litoral sul para o Recôncavo baiano há pelo menos três anos, o escritor e professor Jorge de Souza Araújo, de 68 anos, trouxe consigo o próprio acervo de livros, jornais e filmes reunidos ao longo de décadas de estudos e trabalho entre a Bahia e o Rio de Janeiro. Fixado em Santo Antonio de Jesus, cidade pela qual nutre declarado afeto, ergueu uma espécie de equipamento cultural que pretende transformar em biblioteca pública e espaço para práticas de arte, educação e lazer intelectual para estudantes do ensino fundamental e médio, mas em especial acadêmicos e pesquisadores.

O Instituto de Humanidades e Cidadania, como nomeou esse patrimônio construído com dinheiro do próprio bolso, reúne um Centro de Estudos das Linguagens e um Centro de Estudos do Recôncavo e Sertão na Rua Bela Vista, 450. “Eu tinha esse acervo em Ilhéus, comprei uma casa, reformei e coloquei o material que estará disponível quando tivermos uma forma jurídica e contratarmos pessoal especializado para catalogá-lo”, explica o professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Ele planeja captar recursos para dar forma aos muitos projetos que tem na gaveta.

Araújo acompanha os ajustes no local praticamente todo o tempo em que o mesmo está funcionando, de segunda à sexta, das 08h às 12h e das 14h às 18h. Ele lembra que parte das obras ficou exposta à poeira até que as cinco salas, além de uma videoteca e um auditório, tomassem forma. Cada seção homenageia uma figura de destaque do cenário cultural local, entre eles os poetas Pedro Kilkerry e Silvestre Evangelista, este menos conhecido como escritor e mais por dar nome a uma rua e a uma praça da cidade.

De acordo com o professor, no acervo há cerca de 30 mil livros, além de mil filmes de diretores considerados clássicos, incluindo películas como Batman o Cavaleiro das Trevas dirigido por Christopher Nolan. Além de um conjunto de obras da literatura baiana e brasileira – romances, poesias, contos, crônicas e memórias -, também estão dispostos nas estantes livros de psicologia, sociologia e história. “Há ainda uma boa coleção de suplementos culturais e literários de jornais locais e nacionais, revistas culturais e outras iniciativas de curta duração”, detalha Araújo. O material está separado em pastas.

Além de carregar o título de “cidade com o comércio mais barato da Bahia”, o que destaca Santo Antonio de Jesus dos outros municípios do Recôncavo baiano é o fato de ter a melhor festa de São João da região. Estes selos, no entanto, escondem a apatia municipal em valorizar outros aspectos da cultura local, cuja história traz nomes como Isaías Alves (1888-1968), que teve papel central na fundação da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, em anos mais próximos, Marepe, Marcos Reis Peixoto (1970), artista internacionalmente reconhecido por suas instalações referenciadas nas tradições populares do Nordeste e em sua identidade cultural, que instigam ao debate dos estigmas que marcam esse território sócio-geográfico.

A cidade, afora o novo Instituto, tem uma biblioteca municipal e, em tese, um centro cultural que há mais de 20 anos em alegada reforma, permanece fechado e fora da lista dos 11 espaços geridos Diretoria de Espaços Culturais do estado. “Uma cidade que desenvolve um corpo precisa desenvolver ver sua alma, que está sufocada, em sono profundo”, acredita Jorge Araújo. Com um público–alvo formado por estudantes de duas universidades públicas – uma federal e uma estadual-, e duas particulares, o instituto criado por Araújo pretende ser uma referência em estudos culturais e, ao mesmo tempo, interferir “de maneira aguda” nos hábitos da população.

Instituto de Humanidades e Cidadania, Rua Bela Vista, número 450, Santo Antonio de Jesus – BA. Telefone: (075) 3632-0156 | velhomaroto@bol.com.br

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