Uma revolta dos negros muçulmanos

2 de fevereiro de 2015
© Arquivo pessoaljoaojosereis

João José Reis

Quase carnaval à parte, o tempo é bom em Salvador para se assistir na quarta feira, dia 4, às 17 horas na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, nos Barris (Centro de Memória da Bahia, sala Kátia Mattoso), a uma palestra que promete sobre “A Revolta dos Malês”, rebelião que completou 180 anos em 25 de janeiro. Quem vai proferi-la é o historiador João José Reis, especialista respeitadíssimo nesse e em tantos outros movimentos do longo período da escravidão no Brasil,  professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. Sobre o episódio, dizia Reis em texto de 2012, publicada na Revista de História: “Na madrugada de 25 de janeiro de 1835, aconteceu em Salvador uma rebelião organizada por muçulmanos, principalmente de origem iorubá, chamados nagôs na Bahia. A predominância nagô foi traduzida no nome dado ao movimento: Revolta dos Malês – o termo malê deriva de imale, que significa muçulmano em iorubá.Participaram cerca de 600 combatentes, que deixaram a cidade em polvorosa por várias horas. Durante o combate, 73 rebeldes e dez oponentes foram mortos. Vencidos, dezenas de africanos foram condenados a penas de açoite, prisão, degredo e morte. Salvador tinha na época em torno de 65.000 habitantes, dos quais cerca de 42% eram escravos. Entre a população não escrava, a maioria era também de africanos e seus descendentes nascidos no Brasil. Os brancos não passavam de 22%. Entre os escravos, 63% eram nascidos na África, chegando a 80% no Recôncavo. A maioria dos africanos era nagô, cerca de 30%, bem como a maioria entre os muçulmanos”.

Mais recentemente, em maio de 2014, o historiador também falou sobre este assunto e outros objetos de sua pesquisa histórica em uma bela reportagem publicada na primeira edição da Bahiaciência. Vale a pena conferir.

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