Instituto Geográfico e Histórico acolhe hoje debate sobre presença das mulheres na ciência feita na Bahia

27 de março de 2015
© www.cultura.ba.gov.brInstituto Geográfico e Histórico da Bahia

Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

Em Salvador, a produção científica feminina é o cerne do diálogo de sete pesquisadoras em seminário que acontece hoje (27) no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. O evento foi pensado e organizado pelo historiador e pesquisador, Jaime Nascimento, do Centro de Culturas Populares e Identitárias. A sua motivação é refletir sobre o protagonismo das mulheres na ciência baiana, mas também divulgar estudos que, na sua visão, têm dificuldade de ultrapassar as barreiras da universidade.

 “O evento é sobre mulheres na pesquisa e sobre a pesquisa feita por mulheres”, explica Jaime, que as convidou com base nos estudos realizados por elas, predominantemente de cunho histórico ligado à Bahia. O Seminário Produção Científica Feminina na Bahia: Pesquisas e Pesquisadoras acontecerá das 14h às 18h.

Entre as pesquisadoras estão Iole Macedo Vanin, do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Jacira Primo do Centro de Memória da Bahia, vinculado à Fundação Pedro Calmon.  “Ainda é importante que essa discussão continue e permaneça para que as mulheres possam ingressar no mercado e na academia, não só pelo recorte de gênero”, afirma Primo que pesquisou os integralistas e a política brasileira na década de 1930.

De acordo com a pesquisadora Sabrina Gledhill que estará entre as docentes e cujo doutorado foi concluído no ano passado no Programa de Pós Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da UFBA, as mulheres sempre tiveram um papel de destaque, mas ainda é necessário que a sociedade reconheça esse fato. “Olhar (apenas) para o gênero não define nossos interesses. Não é necessário uma mulher pesquisar sobre mulher e um homem pesquisar sobre homem, é uma questão de perspectiva”, acredita. Na sua tese, estudou a trajetória dos escritores negros Booker Washington (1856 – 1915) e Manuel Querino (1851 – 1923).

Depois do seminário haverá o lançamento de uma coleção de livros, oriundos de dissertações escritas por mulheres e por homens. Todos têm como abordagem diferentes períodos da história baiana.

Estímulo à pesquisa feminina

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a 85ª posição em desenvolvimento humano e desigualdade de gênero segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Para promover a equidade, desde 2005 o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) estimula a produção científica e a reflexão sobre as relações de gênero, mulheres e feminismos no país, além da participação das mesmas no campo das ciências e carreiras acadêmicas por meio do Programa Mulher e Ciência.

Prêmios nacionais, ocasionalmente, também têm buscam condecorar mulheres com estudos de impacto. Atualmente a Academia Brasileira de Ciências, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a empresa L’Oréal, recebe inscrições para o prêmio Mulheres na Ciência no Brasil. O regulamento pode ser conferido aqui.

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