O árido e o semiárido baianos

25 de março de 2015

© Edvan Lessacasa_varalDe acordo com o Instituto Nacional do Semiárido (INSA), 266 municípios baianos fazem parte do semiárido. A população residente nesses locais ainda está no mais alto nível de risco hídrico e nas piores condições de pobreza. Os climas semiárido e árido são característicos dos vales dos rios São Francisco, Vaza-Barris, Itapicuru, Paraguaçu, Pardo e Contas, que cortam a Bahia.

Conforme o Atlas de Abastecimento da ANA, na região do São Francisco a disponibilidade hídrica se manifesta por meio de rios intermitentes. Na vertente atlântica, as disponibilidades hídricas são maiores e os cursos d’água são perenes.

O estado baiano, no geral, dispõe de reservatórios com capacidade da ordem de bilhões de metros cúbicos, como a barragem de Pedra do Cavalo, localizada no rio Paraguaçu, Sobradinho e Itaparica, no rio São Francisco – o que propicia grandes aproveitamentos para fins energéticos, irrigação e abastecimento humano.

Em todo o semiárido baiano, o maior dentro do polígono da secas, vivem 7.227.399 pessoas (IBGE 2014), o que corresponde a 70% do total da população semiárido nordestino. Nessa porção de terra, o povo se vale das águas superficiais que evaporam com mais rapidez do que é devolvida pelas nuvens.

Se na pior seca do século a população recebia menos de um terço do salário mínimo em cruzeiros, hoje, o repasse do governo apenas para a Bahia é de mais de 154.556.716,00 milhões e beneficia 1.027.877 famílias por meio do Bolsa Família. É o estado com o maior número de assistidos pelo programa de transferência de renda do governo federal.

© Edvan Lessamoradora_bahia

Clima semiárido

Do ponto de vista climático, a Região Semiárida é marcada por ciclos de estiagens prolongadas anualmente ou plurianulamente. Chove em média três meses no ano e, durante os outros nove, há pouca ou nenhuma precipitação. Desde o primeiro registro de seca feito em 1559 pelo Padre Serafim Leite, autor da História da Companhia de Jesus no Brasil, houve 72 registros no Sertão da Bahia até o ano 2011. É como se houvesse uma estiagem a cada 6,3 anos, ao longo de 425 anos de observações.

De acordo com o coordenador de Monitoramento do Inema, Eduardo Topazio, o órgão está desenvolvendo um “Monitor de seca” em conjunto com outros estados do Nordeste afetados pela estiagem. O objetivo é acompanhar mensalmente a evolução do fenômeno.

Ele observa que, por se tratar de uma região que beira o deserto, existe um constante déficit de água. “Tem chuvas concentradas em certa época do ano e secas muito periódicas”, observa. Ainda de acordo com Topazio, a seca iniciada em 2011 não foi por causa do El Niño, fenômeno gerado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico além do normal e pela redução dos ventos alísios – originados do deslocamento das massas de ar frio – na região equatorial. “É senso comum que o El Niño é a causa da seca. Mas a de agora não coincidiu com o fenômeno. Começou um pouco antes no Nordeste, entre 2010 e 2011. O que houve foram algumas anomalias de aquecimento no Atlântico Norte e Sul”, conclui.

Leia na íntegra o Especial “Água mole, terra dura” 

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