Panorama da água na Bahia

23 de março de 2015

© Edvan LessaFoto - Edvan LessaHá em torno de 15 milhões de pessoas distribuídas nos 417 municípios que formam a Bahia (IBGE 2014), mas ninguém tem certeza se água que se esvai pelo ralo é a mesma que retorna pelo cano da pia do banheiro ou da cozinha. Benção divina e terrena, a água nasce no solo e também no céu. Livre, esse líquido está sujeito à depredação humana; aprisionado, a perecer.

A disponibilidade hídrica e vazão média das bacias hidrográficas que costuram o quinto maior estado brasileiro, conforme a Conjuntura dos Recursos Hídricos do Brasil divulgada em 2013, indica que há gente demais e pouca água. Este ano, 22% dos municípios precisam de modificações em seus sistemas produtores de água e 48 cidades de um novo manancial, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA).

A gestão dos recursos hídricos, conforme a Lei Estadual nº 11.612, deve considerar os usos múltiplos desse recurso. Isto é, não apenas para matar a sede humana, mas também para fins econômicos. Entretanto, em situações de escassez, o uso deve ser prioritário para a dessedentação da população e dos animais.

Em seus 26 territórios de identidade, com cenários onde há exuberante disponibilidade hídrica, e outras, onde o Sol a pino rebate no chão árido, o estado possui duas regiões hidrográficas, a do São Francisco e a do Atlântico Leste. Na primeira, cerca de 60% das águas chega a ser utilizada para irrigação. Todo o restante é para consumo humano, animal e industrial.

Embora a Bahia não se encontre na mesma situação que estados comoSão Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os desafios para conciliar consumo e preservação são os mesmos na Bahia. “Este precioso líquido tem interface com o Saneamento, com o Meio Ambiente, com os Transportes, com a Energia, com a Saúde, com o Turismo, com a Agricultura, com a Indústria e com outras áreas sendo, portanto, discutido de forma setorizada e não como insumo principal num processo de investimento ou dentro do escopo de uma política pública”, aponta o governador do Conselho Mundial da Água, Lupercio Ziroldo Antonio.

Apesar de o país apresentar uma situação hídrica confortável em relação a outros países, grande parte da água doce está numa área pouco povoada e que não clama por esse recurso com tanta avidez. Por outro lado, a desigualdade hídrica assume uma de suas facetas mais emblemáticas na Bahia.

Em comparação com o Amazonas, cuja bacia– a maior do mundo – possui vazão média de 132.145 metros cúbicos por segundo (m³/s), disponibilidade hídrica de 73.748 m³/s e população de 3 milhões, as regiões do São Francisco e do Atlântico Leste, no estado baiano, têm, juntas, 4330 m³/s de vazão e 2191 m³/s de disponibilidade de água.

Poluição

Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), os efluentes domésticos estão entre os principais agentes poluidores das águas. Isso interfere na balneabilidade das praias, por exemplo. Conforme dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento referente ao ano de 2012, 130 municípios são atendidos com esgotamento sanitário.

“A degradação dos corpos de água (mesmo os subterrâneos) tem muito de sua causa na deficiência do saneamento. Quanto a Salvador, mesmo depois da fortuna gasta no Programa Bahia Azul quase nenhum benefício concreto resultou de tais obras. Do final de tal programa para cá, nada de avanços que mereçam registro, pelo contrário, deficiências se verificam a todo instante”, aponta Lafayette Luz, professor do Departamento de Engenharia Ambiental da UFBA.

Leia na íntegra o Especial “Água mole, terra dura” 

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