Olimpíada Baiana de Biologia quer estimular vocações científicas

14 de abril de 2015

Com tradição em competições que contemplam sobretudo as ciências exatas, a Bahia incluiu em seu calendário, pela primeira vez, a Olimpíada Baiana de Biologia, que premiou 16 alunos de escolas públicas de Salvador, sua região metropolitana e interior do estado. Organizada pela professora Ivana Nunes de Araújo do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ibio-UFBA), a Olimpíada teve festa de condecoração no salão nobre da Reitoria da UFBA no dia 09 de abril para os adolescentes e jovens que obtiveram pontuação ótima no exame com 31 questões sobre ecologia, genética e botânica, entre outros subcampos da biologia, elaboradas por uma comissão científica formada por professores da mesma universidade.

Um dos premiados, Walter da Silva, 18 anos, faz parte da lista dos cinco vencedores do Instituto Federal da Bahia (Ifba), campus Salvador. Ele está no segundo ano do curso técnico em química e já está engajado num estudo coordenado pela professora Joseína Moutinho Tavares para verificar a qualidade de uma marca de água mineral,. “Participo também das olimpíadas nacionais de história e de matemática. Porém, não me interesso pela competição, e sim, pela aquisição de conhecimento”, disse Walter, reconhecido como um dos destaques das escolas públicas, às vésperas de concorrer à XI Olimpíada Brasileira de Biologia.

João Pedro Moraes, 17 anos, aluno do Colégio Militar de Salvador – que teve o maior número de ganhadores, com o total de seis premiados -, também foi destaque das escolas públicas. Como Walter, ele acredita que por meio dessas competições é possível examinar os conhecimentos acumulados ao longo da vida escolar. Aluno do terceiro ano colegial, sua meta é ingressar na área de neurociências e ele avalia que a participação na olimpíada contribui para prepará-lo nesse sentido. “Eu fiz o exame com assuntos que já sabia, não posso dizer que me preparei especificamente para ele. Em nosso colégio temos bons professores de biologia”, garante.

Outros ganhadores são estudantes do colégio da Policia Militar João F. Gomes e estadual Odorico Tavares, na capital, Polivalente de Aratu, em Simões Filho e Doutor Rômulo Almeida, em Santo Antonio de Jesus. De acordo com Ivana de Araújo, também puderam concorrer alunos de instituições privadas. A professora do Ibio pensa  que o objetivo da Olimpíada é estimular a relação entre professor e aluno e construir conhecimento através da parceria entre ambos. Além disso, busca-se aproximar o ensino médio do ensino superior. “A universidade está na cidade, mas muitos não têm acesso a ela”, destaca.

Vale registrar que uma das primeiras olimpíadas científicas ocorreu em 1894 na Hungria. A partir daí, foram muitas as experiências mundo afora. As mais tradicionais no Brasil são a Olimpíada Brasileira de Física, organizada pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, iniciativa da Sociedade Astronômica Brasileira, e a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, proposta pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco). Todas têm o objetivo de estimular, despertar e fomentar talentos na área das ciências.

A primeira edição da Olimpíada Baiana de Biologia contou com mil inscritos, dos quais 600 realizaram efetivamente o exame. Ivana observa que contou com o suporte dos Institutos de Química e Física da UFBA, que já realizam suas próprias olimpíadas, e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). A experiência, ela diz, se espelhou no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Para 2015 as inscrições são em junho e o exame acontecerá em 12 de setembro.

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