Inovar para competir

O governo brasileiro precisa inserir a competitividade como elemento salutar para a economia, defende consultor

30 de maio de 2015
polo petroq

A implantação do Polo Petroquímico na Bahia gerou produtos mais competitivos, movimentando e mudando o cenário econômico do estado

O principal objetivo do Conselho de Inovação da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) é difundir o conceito de inovação junto às empresas e estimular a competitividade com o uso das tecnologias como instrumentos para esse fim, disse o seu conselheiro, professor José Adeodato de Souza Neto, no simpósio “A propensão do empresariado baiano a inovar”, promovido pela Academia de Ciências da Bahia (ACB), de 27 a 29 de maio. “Cada empresa deverá usar o conhecimento e a inovação tecnológica a depender de seu ramo de negócio e da sua necessidade”, destacou.

Adeodato, que  tem larga experiência como gestor de políticas e programas de ciência e tecnologia — com um currículo que inclui a passagem pelos cargos de vice-presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), diretor executivo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) e superintendente de Inovação Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – relatou que  a Fieb e algumas empresas do Polo Petroquímico da Bahia estão estudando a necessidade de componentes para melhorar o padrão dos fornecedores das empresas do Polo.

Outro estudo capitaneado pelo Conselho de Inovação visa à interiorização das ações da Fieb. “A intenção é descentralizar as ações de incentivos, nos diversos polos de desenvolvimento da Bahia, para capacitação das empresas regionais presentes em cidades como Juazeiro, Ilhéus e outras”, disse.

Na avaliação de Adeodato, a vinda do Polo Petroquímico para a Bahia trouxe uma nova mentalidade, gerando produtos mais competitivos, movimentando e mudando muito o cenário do estado, além de ter provocado a implementação de outros ramos de negócios.  “As indústrias instaladas na Bahia em geral são tradicionais, unidades de transformação que inovam muito pouco e apenas no final da produção, na relação entre a fábrica e o cliente. Isso não é por ineficiência, é parte da regra do jogo estabelecido por essas empresas”, esclareceu.

Justamente pensando nas formas de relação dessas empresas com seu cliente e em seu empenho no mercado, Adeodato apresentou cinco trajetórias adotadas por elas para inovar que geraram bons posicionamentos no mercado: negócios de tecnologias dominadas pelo fornecedor, nas quais o produtor (cliente) não tem como mexer, causando uma dependência do cliente ao fornecedor; negócios de base científica e tecnológica, que possuem as bases genéticas, em que os produtos são tecnicamente relacionados com o conhecimento científico; fornecedor industrial especializado; negócios intensivos em escala; e negócios intensivos em informação. “Essas trajetórias se apegam à lógica mercadológica segundo a qual criar e sustentar vantagens competitivas é mais importante que inovar”, disse Adeodato.

O Conselho de Inovação da Fieb, entretanto, mira a pesquisa pensada a partir da inovação, a produtividade e o incentivo à competitividade. “É necessário aproveitar melhor a produtividade da Bahia e investir em educação. Sem investimento em educação, ciência e tecnologia não iremos a lugar nenhum”, ressaltou. Juntando-se a outras vozes que defenderam a mesma visão no simpósio promovido pela ACB, Adeodato, hoje atuando também como consultor em competitividade e inovação, disse que é preciso pensar em políticas públicas para a tecnologia. “Ainda temos um conhecimento restrito do que é Ciência, Tecnologia e Inovação em todo país. O governo brasileiro precisa inserir a competitividade como elemento salutar para a economia”, finalizou.

 

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