Mais rapidez e criatividade

A Bahia precisa ter coragem para implantar as reformas necessárias a tornar o estado mais inovador e competitivo, diz Irundi Edelweiss

30 de maio de 2015
© Foto: Secom/BA | Carol GarciaA cultura de inovação da Fieb apresenta hoje um polo catalisador e estimulador que é o Senai-Cimatec

A cultura de inovação da Fieb apresenta hoje um polo catalisador e estimulador que é o Senai-Cimatec

Muito usado, o verbo inovar tornou-se um objetivo central das empresas nos últimos anos. “Mas inovação exige investimentos e criatividade, requisitos importantes para o futuro empresarial do país”, afirmou o engenheiro Irundi Edelweiss , membro da Academia de Ciências da Bahia (ACB)  e da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), na manhã da sexta-feira, 29 de maio, durante o Simpósio “Propensão do Empresariado Baiano a Inovar”, promovido pela ACB, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Escalado para abordar o tema “A Fieb e a cultura de inovação na Bahia”, Edelweiss destacou que não é fácil ter “cabeças criativas”, capazes de movimentar o cenário empresarial. Por isso é preciso estimular a criatividade e a competitividade na educação brasileira, seguindo o exemplo de países como os Estados Unidos, China, Japão e Rússia, que perseguem esse objetivo, por exemplo, criando centros de desenvolvimento tecnológico e inovação de excelência.

“Precisamos buscar as cabeças inteligentes, que não necessariamente se encontram nas grandes corporações, mas estão por aí, perdidas pelo interior, necessitando de estímulos e de uma formação voltada para a criatividade”, disse.

Para Edelweiss, a Bahia tem que andar mais rápido, ser mais criativa, e ter coragem para implantar as reformas necessárias e para forjar uma universidade que estimule posturas inovadoras e cobre atitudes contributivas dos estudantes em relação ao desenvolvimento do estado e, consequentemente, do país. Tais reformas, segundo Edelweiss, precisam ser pensadas a partir da educação básica, porque um ensino deficiente nessa etapa vai alimentar uma universidade também deficiente que, por sua vez, conformará uma indústria que não conduzirá a uma cultura de inovação, como tem acontecido. “Temos que pensar e fazer algo voltado para implementar o estímulo à inovação no ensino básico e com urgência, pois estamos perdendo a batalha para o crime”, desabafou.

Ao abordar a indústria e a tecnologia na Bahia em prazo mais longo, Edelweiss destacou que elas são marcadas por três momentos importantes: o primeiro, o da criação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Ceped), em 1966, cujo objetivo era desenvolver tecnologias inovadoras e prestar serviços tecnológicos em benefício da sociedade; o segundo, o da implantação do primeiro mestrado das engenharias da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1987, por iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e o terceiro, o momento atual, que sustenta uma perspectiva de fortalecer a inovação na Bahia, centrada na estrutura do Senai-Cimatec (Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia), que presta serviços especializados e  promove a pesquisa aplicada, com ênfase em tecnologias computacionais integradas à manufatura.

“A cultura de inovação da Fieb apresenta hoje um polo catalisador e estimulador que é o Senai – Cimatec, cuja projeção nacional é muito boa. E as empresas, sobretudo as menores, estão descobrindo e se interessando por inovação”, ressaltou Edelweiss. Assim, “mais dia, menos dia elas vão começar a procurar o Senai-Cimatec em busca de soluções para seus problemas tecnológicos”.

A reflexão sobre questões de inovação e tecnologia, segundo ele,  ainda é incipiente na cultura da inovação industrial da Fieb e, de modo geral, “insignificante na Bahia e no Brasil”. Mas o problema da baixa inovação baiana, destacou, “está ligado diretamente à baixa produtividade, baixa criatividade e à ineficácia do estado ao tratar dessas demandas”. A indústria na Bahia não encontrou competências para criar inovação e o estado se posiciona em um lugar ruim, na “rabeira” do Brasil. Esse quadro mudará, ele argumentou, se houver o entendimento de que a “inteligência não surge na indústria, mas antes dela, com a educação e o incentivo à criatividade”.

Patentes -Edelweiss  observou que em registro de patentes, indicador importante na condução dos caminhos do desenvolvimento da indústria nacional, o Brasil ocupa a 19ª posição no ranking do último relatório anual da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Wipo), vinculada à ONU. São 41.453 patentes válidas, de acordo com o levantamento feito com dados de 2012 colhidos nos 20 maiores escritórios de concessão de patentes no mundo.

Os Estados Unidos ainda figuram em primeiro lugar nessa lista, com 2,2 milhões de patentes, seguido do Japão, com 1,6 milhão. [Depois estão China (875 mil), Coreia do Sul (738 mil), Alemanha (549 mil), França (490 mil), Reino Unido (459 mil) e até o principado de Mônaco (42.838). O Brasil está na 19ª posição, com 41.453 patentes válidas. São 211 a mais que o último lugar, ocupado pela Polônia.

No bloco dos BRICS, todos estão na frente: seguidos pela China aparecem Rússia (181 mil), África do Sul (112 mil) e Índia (42.991)]. Segundo Edelweiss, tomando os dados do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), das 34 mil patentes concedidas no país entre 2003 e 2013, 79% são de não residentes. Na Bahia, a performance é irrisória, com apenas 130 patentes requeridas no total de 28 mil pedidos feitos no país em 2010.

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