Senadores e deputados federais baianos são convocados para debater a crise da indústria naval, na próxima segunda feira

19 de maio de 2015

© Foto: Divulgação

 

A crise da indústria naval no país, e na Bahia em particular, começa enfim a produzir uma mobilização em defesa de um segmento que até novembro do ano passado trazia grandes promessas de dinamização de economias regionais, com forte impacto na economia nacional. Na próxima segunda, 25, às 13:30 horas, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) promove em sua sede, no Stiep, em Salvador, o “Encontro com a Bancada Federal Baiana em Defesa da Enseada Indústria Naval”.

Ali se vai debater o atual cenário de crise da indústria naval brasileira, e especialmente seus efeitos sobre o projeto Enseada, em implantação na cidade de Maragojipe, no Recôncavo Baiano, que de dezembro até hoje teve que demitir mais de 5 mil trabalhadores, o que deixou toda a região de seu entorno em situação socioeconomica complicada.

O órgão anfitrião, a Fieb, convidou para o encontro os três senadores baianos, os 39 deputados federais eleitos pelo Estado, representantes dos governos estadual e federal, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além dos prefeitos das cidades de Maragojipe, Salinas da Margarida, Saubara, Santo Antônio de Jesus e Nazaré.

Na divulgação do evento, a Fieb e a Enseada Indústria Naval lembraram que o estaleiro da empresa atingiu 82% de avanço físico das suas obras de construção. Mas, em novembro, atingido pela crise de liquidez na indústria naval, ele iniciou as demissões. “Os impactos sociais na região são devastadores, noticiados pela imprensa nacional como uma ‘depressão econômica’ sem precedentes, especialmente, nos municípios de Maragojipe, Salinas da Margarida, Saubara, Santo Antônio e Nazaré”, afirmou Ricardo Alban, presidente da FIEB.

Na origem dessa crise que se abate sobre o Recôncavo baiano e sobre mais meia dúzia de estaleiros espalhados pelo Brasil está a suspensão desde novembro, por parte da empresa Sete Brasil, dos pagamentos de serviços executados e regulados em contratos assinados. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) observou recentemente que informou que “embora já tenham sido performados e medidos, [esses serviços] não foram pagos nas épocas previstas nos cronogramas”. No comentário do Sinaval, “as dificuldades financeiras na Sete Brasil estão levando os estaleiros a enfrentar uma crise sistêmica, com paralisações de obras e prejuízos aos investimentos já realizados, e, até mesmo, de perda de milhares de empregos gerados pelas atividades dos estaleiros”.

O presidente da FIEB observa que o consórcio responsável pela construção do estaleiro encerrou suas atividades civis e, por sua vez, a Enseada também já paralisou suas atividades industriais – situação, aliás, relatada no site da Bahiaciência, já que a observei in loco no último dia 6 de maio.

“O cenário é preocupante e indica a necessidade de forte apoio político em nível Federal. Estamos juntos às autoridades políticas baianas com o objetivo de assegurar a continuidade da expansão, o aperfeiçoamento do setor da construção naval e o fortalecimento da política de conteúdo local”, acrescentou Alban.

Eis o que é a Enseada Indústria Naval, nas palavras de seus dirigentes: “atua na construção e integração de unidades offshore, como plataformas, FPSOs e sondas de perfuração. Com 1,6 milhão de metros quadrados de área em Maragojipe, dos quais 400 mil destinados à preservação ambiental, a Enseada já é considerada um dos maiores empreendimentos do país”.

Os investimentos da empresa na Bahia alcançam R$ 3,2 bilhões. Além da Sete Brasil, com um contrato de US$ 4,8 bilhões, a Petrobras integra sua carteira de clientes, com um contrato de US$ 1,7 bilhão. O empreendimento no Paraguaçu foi previsto para processar, quando operando a plena capacidade, 72 mil toneladas de aço por ano na construção de navios de alta especialização, “que poderão ser fabricados simultaneamente gerando 12 mil empregos diretos e indiretos com significativo percentual de mão-de-obra local”.

Para mais detalhes sugiro a leitura de outros textos da Bahiaciência online sobre o estaleiro:

Os baianos em Sakaide

Enseada Indústria Naval: o gigante pede socorro

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