Lista vermelha

25 de junho de 2015

Há 10 anos um grupo de pesquisadores baianos reúne informações sobre a biologia, ecologia e distribuição geográfica da fauna e flora do estado para determinar quais espécies estão ameaçadas de extinção em nível global, nacional, estadual ou regional. O inventário, apelidado de Lista Vermelha, já está praticamente finalizado. No entanto, aguarda a validação final da Secretaria de Meio Ambiente do estado (Sema).

Quando reconhecida por órgãos competentes, a listagem possibilitará a aplicação de mecanismos para a proteção dessas espécies. Ela foi elaborada considerando os grupos biológicos dos peixes e invertebrados continentais e marinhos, aves, mamíferos, répteis, anfíbios e plantas.

© Phoneutria bahiensis. Foto: Marcos Freitas.Phoneutria-bahiensis
O processo envolveu ao menos um responsável por grupo, todos eles sob a coordenação geral da pesquisadora Sofia Campiolo, da Universidade Estadual de Santa Cruz, que orientou alguns envolvidos a não informar, por enquanto, os números finais das espécies catalogadas.

Segundo os respectivos responsáveis, no entanto, foram avaliados 251 mamíferos, 217 peixes continentais e 160 invertebrados continentais e 815 aves. Por outro lado, ainda não há uma prévia de como eles estão na escala que vai de “extinto” e “ameaçado” a “pouco preocupante”.

Trata-se de um esforço de identificação elaborado com base em métodos da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), entidade que auxilia iniciativas, incluindo pesquisas científicas, que se dedicam a encontrar soluções baseadas na natureza. “O Brasil, como signatário da CDB – Convenção sobre Diversidade Biológica-, também elabora a lista nacional e com base nos critérios da IUCN. E nós fizemos o trabalho articulado com o ICMBio”, conta Sofia Campiolo.

© Agalychnis aspera. Foto: Divulgação Lista Vermelha.Agalychnis-aspera-anfibios

O ICMbio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, é o órgão ambiental do governo e finalizou a avaliação nacional do risco de extinção da fauna brasileira em dezembro de 2014. Um projeto de decreto legislativo que estava na pauta do dia 24 de junho da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados de Brasília, susta a portaria do Ministério do Meio Ambiente, que reconhece os peixes e invertebrados na Lista Nacional.

Segundo Campiolo, a lista de todas as espécies baianas foi finalizada, com exceção dos peixes marinhos. “Este é o grupo mais complexo, em função do grande impacto sócio econômico, quando a lista se torna um efetivo instrumento de gestão”, revela. O co-coordenador, Alexandre Clístenes, da Universidade Estadual de Feira de Santana, afirma que foram identificadas 797 espécies.

© Scarus trispinosus. Foto: Matheus Oliveira.Scarus-trispinosusa-marinhos

“As maiores dificuldades para finalização da lista foram o alto número de espécies, o baixo número de especialistas locais e a absoluta carência de dados sobre estatística pesqueira”, sublinha. “Um dado interessante é que se somando as 217 espécies de água doce, a Bahia possui cerca de um quarto da riqueza de espécies de peixes do Brasil”, completa.

© Epinephelus Itajara. Foto: BertonciniEpinephelus-Itajara-Bertoncini-marinhos

Entre os estados que já têm a sua lista, está o Rio Grande do Sul e São Paulo “Na Região Norte, o Pará foi o pioneiro; no Nordeste, Pernambuco e Bahia são os dois estados trabalhando nessas Listas. Há também esforços no Distrito Federal e em Goiás”, afirma o pesquisador Jacques Hubert Delabie da UESC, que liderou o time responsável pelos invertebrados continentais.

Na visão de Sofia Campiolo, entre os resultados previstos, a lista fortalece a articulação dos grupos de pesquisa instalados na Bahia.

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