O inimigo do piolho

10 de junho de 2015

Pesquisadores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) em Juazeiro obtiveram resultados positivos ao utilizar produtos de origem vegetal no combate a uma praga agrícola que reduz a qualidade da cebola. Conhecido como piolho, o inseto Thrips tabaci, é um dos principais problemas para essas safras sob o cultivo orgânico no Vale do São Francisco. As informações são da assessoria de comunicação do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS).

Fruto da dissertação de Márcio Ribeiro, defendida no mestrado em Agronomia com ênfase em Horticultura Irrigada, do DTCS, o estudo prevê o controle do inseto por meio de óleos retirados de plantas como o algodão. Trata-se de uma alternativa aos agrotóxicos, amplamente usados nesses casos.

“Fizemos o estudo em como controlar o Thrips tabaci de forma que não fosse prejudicial ao homem, que não se utilizasse os agroquímicos e produtos que agredissem o meio ambiente”, explica Márcio Ribeiro.

© Pesquisador Márcio Ribeiro. Foto: Divulgaçãofoto 1

 A eficácia desse estudo foi verificada entre 15 de abril e 29 de agosto de 2014, no Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável (Caerdes) do DTCS.  No experimento, o solo foi preparado sem a utilização de grades e arado, e a adubação da planta foi realizada com esterco de aves, pó de rocha, cinzas vegetais, entre outros.

Após essa etapa, o pesquisador Márcio Ribeiro preparou os canteiros da cebola e quando o Thrips tabaci apareceu, ele utilizou inseticidas naturais em cada tratamento. Entre os quais, o Citrolin, extraído da casca de frutas cítricas; o óleo de algodão, o óleo de Neem; o Rotenat, retirado de raízes; o Piroalho, feito à base de alho e o Sulfocal, fertilizante originado de minerais.

“Este é o primeiro trabalho focado, exclusivamente, na avaliação de produtos naturais para o controle de uma determinada praga de uma cultura extremamente importante para o Vale do São Francisco”, afirma o professor e diretor do Caerdes, Jairton Fraga Araújo.

A pesquisa mostrou que houve diminuição do inseto em 53,73% com a utilização do Sulfocal e em 47,73% com o óleo de neem. Nós percebemos que, de acordo com as nossas características de manejo da cultura, o Sulfocal, mesmo sendo o produto mais barato, diminuiu consideravelmente o Thrips tabaci na cebola”, afirma Ribeiro.

De acordo com o professor de Entomologia da Uneb e orientador da pesquisa, José Osmã Teles Moreira, o experimento teve resultados importantes. “O trabalho de Márcio serviu para demonstrar que as técnicas de agricultura orgânica para o controle dessa praga são viáveis e nós buscamos alternativas tanto do ponto de vista ecológico, quanto do econômico”, ressalta.

Deixe uma resposta