Um centro de big data em saúde

Acordo entre Pasteur e Fiocruz abre chance para a Bahia sediar nova instituição de pesquisa de megadados

16 de junho de 2015

(Comentário na Rádio Metrópole)

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A Bahia tem uma chance de ouro de sediar um grande centro internacional de pesquisa de big data em saúde se, e insisto, só se, o estado se mobilizar politicamente – e rapidamente, com vigor — neste sentido.

Isso ficou nas entrelinhas durante o simpósio sobre a cooperação científica entre o Instituto Pasteur, da França, a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade de São Paulo, ontem, segunda, no Rio de Janeiro, no famoso castelo de Manguinhos, sede central da Fiocruz. Lá estavam Christian Bréchot, presidente do Pasteur em Paris, Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz e Vahan Agopyan, vice-reitor da USP. E o diretor da Fiocruz da Bahia, Manoel Barral Netto.

Findos os debates, veio assinatura do termo de cooperação para aproveitar as competências das três instituições nas áreas de doenças infecciosas, neurociência e big data em saúde, fechou o simpósio.

Essa cooperação – que já existia em termos de programas e projetos conjuntos entre o Pasteur e a Fiocruz há décadas–, agora prevê a implantação de unidades do Instituto Pasteur no Brasil. Este centro internacional de referência em pesquisa no campo da saúde desde o século XIX, e especialmente em doenças infecciosas, tem unidades em 26 países, incluindo, na América do Sul, Uruguai e Guiana Francesa.

Ficou dito oficialmente e entendido que o Pasteur terá dois centros aqui no país: um primeiro, na USP, que pode somar competência para as três áreas que estão no foco do acordo, mas trabalhará sobretudo com doenças infecciosas e doenças relacionadas com inflamação (câncer, neurodegenerativas, etc). Vahan previu que em um ano estará pronto. Outro no Rio, voltado para neurociência. A unidade da Fiocruz em Porto Velho, Rondônia, também deverá entrar no quadro dessa cooperação, a Amazônia é de altíssimo interesse, não só em biodiversidade, mas em doenças emergentes. Muito coisa entra no Brasil a partir de lá.

E a Bahia? Nas comissão que articulou esse substancioso acordo, ensaiado desde março de 2014 e que começou a progredir rapidamente a partir de setembro, sempre esteve o diretor da Fiocruz baiana, Manoel Barral Neto. E certo de que há algumas condições bastante favoráveis para que um centro de big data do Pasteur seja instalado na Bahia: há o supercomputador do Cimatec, trabalhos consistentes de epidemiologia molecular mais ampla na UFBA e na Fiocruz baiana, a liderança de Maurício Barreto em um grande projeto de epidemiologia, contratado inclusive pelo ministério de desenvolvimento social… enfim, se se conseguir mais mão de obra de alto nível,
Diga-se logo que Fapesp, de São Paulo, a Faperj, do Rio, a Finep, federal, estavam bem representadas no encontro de ontem. Porque grandes projetos técnico-científicos demandam, além de ousadia, forte apoio político e recursos. A palavra, então, está agora com o governo baiano. Um centro desses certamente pode dar uma força enorme para impulsionar a área de ciência, tecnologia e inovação neste estado.

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