A última gota

Alunas de escola técnica de recife ganham menção honrosa em torneio internacional com game sobre o uso Racional de água

27 de julho de 2015 -
© Ademar Filho / Secretaria de Educação PEAs estudantes Jaqueline Rodrigues, Jacqueline Barbosa, Sâmara Beatriz, Gabrielle Lopes e Leonor Victória e o game The Last Drop

As estudantes Jaqueline Rodrigues, Jacqueline Barbosa, Sâmara Beatriz, Gabrielle Lopes e Leonor Victória e o game The Last Drop: menção honrosa no desafio de inovação para garotas na Califórnia

Um grupo de cinco alunas da Escola Técnica Estadual Cícero Dias, em Recife, recebeu menção honrosa na última edição do Technovation Challenge, torneio realizado desde 2010 em São Francisco, Estados Unidos, que já desafiou 3 mil garotas de 28 países a construir aplicativos voltados para solucionar problemas sociais e comunitários. Jacqueline Alves Barbosa, de 17 anos, Maria Gabrielle Lopes Cruz, Jaqueline Rodrigues Alves da Silva, Leonor Victória Monteiro de França e Sâmara Beatriz, de 16 anos, passaram cinco dias nos Estados Unidos acompanhadas pelo professor de programação Tiago Lemos de Araújo Machado apresentando para centenas de investidores o game The Last Drop (A última gota, em inglês), cuja protagonista, uma menina chamada Vitória, precisa fechar torneiras antes que acabe a água do edifício onde reside. O game busca sensibilizar crianças de 5 a 12 anos a usar racionalmente a água. As garotas de Recife disputaram o prêmio na categoria ensino médio com grupos da Índia, dos Estados Unidos e da Nigéria. A equipe vencedora foi a nigeriana Charis, que desenvolveu um aplicativo sobre descarte adequado de lixo.

O objetivo do Technovation Challenge é estimular o interesse de crianças e jovens por programação e ciência da computação, em especial as meninas, já que mulheres são minoria entre profissionais formados e pesquisadores no mundo inteiro. No Brasil, apenas um quarto das pessoas que trabalham na área de computação é do sexo feminino. “Na nossa escola, os garotos são maioria entre os estudantes de programação. Com o nosso exemplo, queremos incentivar mais garotas a participar”, diz Jaqueline Rodrigues. A iniciativa de participar do torneio partiu das próprias garotas. “Elas haviam participado de algumas competições em programação no ano passado e receberam um e-mail dos organizadores deste torneio. Montaram o time e se envolveram intensamente no trabalho”, diz o professor Tiago. Desenvolver o aplicativo, ele diz, foi a parte mais fácil. “Elas já haviam feito outros jogos anteriormente e conhecem bem a linguagem de programação”, afirma. Difícil foi conciliar a tarefa com as aulas na Escola Técnica e organizar um plano de negócios para comercializar o aplicativo, uma das exigências do torneio. O grupo se encontrava nos fins de semana e também trabalhava virtualmente, criando pastas com tarefas no Google Drive. “O plano de negócios foi feito no feriado da Páscoa”, afirma o professor Tiago. A empresa startup proposta no plano foi batizada de PortMund. O grupo pretende agora lançá-la comercialmente. “Estamos procurando parceiros para consolidar a empresa”, diz Gabrielle Lopes.

Tela inicial do game The Last Drop

Tela inicial do game The Last Drop

Os cinco dias nos Estados Unidos foram uma experiência intensa e árdua. Embora as passagens e hospedagens corressem por conta da organização do evento, o grupo sofreu para conseguir entrar nos Estados Unidos, devido a uma pane no sistema de concessão de vistos. “Foi assustador no começo, mas acabou se tornando uma das experiências mais emocionantes da minha carreira”, diz o professor Tiago. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, pediu ajuda à representação diplomática norte-americana em Recife. O grupo conseguiu entrar sem o visto regular, exibindo uma autorização especial emitida pelo consulado. Na Califórnia, participaram de cursos e palestras e visitaram empresas de tecnologia, como a Amazon e o Twitter. “Conhecemos muita gente da área. Eles nos incentivaram, fizeram críticas positivas e mostraram onde poderíamos melhorar o jogo”, diz a estudante Jacqueline Alves. Um dos mais interessados no game brasileiro, segundo o professor Tiago, foi a Apple. “O chefe do departamento de design da companhia conversou bastante com elas e deu muitas dicas. Fez questão de parabenizá-las pessoalmente e disse que pretende manter o contato.”

A experiência de obter vivência internacional em seu campo de estudos também foi obtida por um grupo de estudantes de graduação da Bahia que venceram, no ano passado, o Desafio Universitário Empreendedor de 2014, competição nacional desenvolvida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os estudantes baianos Allisson Pierre Lino Gomes, Diego Feitosa Cavalcanti, Flávia Francisca de Souza Sampaio e Paulo Victor Sobrinho de Jesus embarcaram no dia 26 de junho para uma missão técnica de nove dias no Japão, onde visitaram centros de inovação, empreendedorismo e tecnologia em Tóquio e Nagoya. A equipe se destacou entre os mais de 100 participantes da competição, cujo objetivo é estimular habilidades em gestão, empreendedorismo e inovação entre universitários de todo o Brasil. Além de se destacarem nas atividades desenvolvidas na competição, o grupo da Bahia fez a melhor apresentação de ideia de negócios para uma banca de jurados, formada por investidores e especialistas em empreendedorismo. Os baianos apresentaram a proposta de criar uma plataforma para ajudar crianças, entre 3 e 8 anos, com dificuldades de alfabetização. “Pensamos em uma plataforma divertida e interativa em que as crianças pudessem dizer uma palavra, visualizar uma imagem de seu significado e, em seguida, as sílabas corretas dessa palavra”, disse Paulo Victor, segundo a Agência Sebrae de Notícias.

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