Por entre crises e retomadas

27 de julho de 2015 -

É um prazer escrever nova carta aos leitores de Bahiaciência depois de um silêncio involuntário de nove meses pelo meio impresso – sim, porque em seu sítio eletrônico, www.bahiaciencia.com.br, a revista continuou ativa e dando conhecimento ao público das mais relevantes notícias e debates sobre a ciência, o desenvolvimento tecnológico e a inovação que têm lugar na Bahia. Devo lhes dizer que foram tempos duros o dessa travessia no nevoeiro, em que a estratégia de levar o barco devagar, como sabiamente recomendado por Paulinho da Viola em Argumento, tornou-se imperativa.

Nesse meio tempo, a gráfica que imprimiu as três primeiras edições da revista, em Recife, fechou as portas. E a retomada da indústria naval da Bahia, objeto da reportagem de capa da edição que sairia em dezembro passado, transformou-se em crise profunda, marcada pela demissão de quase 6 mil pessoas da Enseada Indústria Naval, e pelo desencaminhamento de um notável investimento por ela feito em transferência direta de tecnologia do Japão para a Bahia. Optamos por manter, nesta edição, a reportagem feita em fins do ano passado, precedida por novo texto do jornalista Domingos Zaparolli que atualiza essa complexa e difícil história, como se poderá conferir a partir da página 49.

Mas, dificuldades à parte, Bahiaciência está na rua de novo para ser publicada a cada dois meses. E o que possibilita isso é o apoio concreto e precioso à ideia de uma revista baiana de divulgação científica por parte de importantes parceiros – agentes centrais da produção do conhecimento, da busca de novas tecnologias e da geração de inovação, no estado da Bahia. A lista está sendo aberta pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-BA) – ver página ao lado –, graças ao empenho direto, respectivamente, do reitor João Carlos Salles e do diretor Manoel Barral Netto. O suporte de outras instituições está em fase de acerto e certamente terá se efetivado na próxima edição da revista.

Isso posto, é mais que tempo de abordar esta edição em termos propriamente editoriais, começando pela bela reportagem de capa, a partir da página 24, sobre a pesquisa de uso de células-tronco na recuperação de lesões ósseas e articulares, provocadas, sobretudo, pela anemia falciforme que inferniza a vida de adultos jovens. O líder desse importante estudo e pesquisa aplicada é o médico ortopedista, professor da UFBA, Gildásio Daltro. O autor da reportagem é Edvan Lessa, jovem e talentoso jornalista que integra a mais que enxuta equipe profissional responsável pela produção editorial de Bahiaciência. Além da capa, duas outras reportagens da seção “Produção do Conhecimento” são da lavra desse profissional que neste momento trata de dar continuidade à sua formação com o mestrado em jornalismo científico e cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp), o mais conceituado do país. Refiro-me aos textos sobre a lista de espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção (página 38) e sobre os inselbergs, ilhas terrestres de que o território baiano é o maior repositório no país (página 44).

Na seção “Pesquisa e Desenvolvimento” o destaque vai para a reportagem de Mariana Alcântara, outra competente jornalista que agora integra o time fixo da Bahiaciência, sobre o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis para a exportação de mangas na forma fresh-cut (sem casca e sem caroço), feitas com biopolímeros e nanocristais de celulose (página 60). A coordenadora do projeto é Bruna Machado e o ambiente para o desenvolvimento do projeto é o Laboratório de Alimentos e Bebidas do Senai-Cimatec.

Por fim, além de recomendar a leitura da entrevista de Edivaldo Boaventura, feita por mim (página 16), e do último texto escrito por Guaraci Adeodato, especialmente para a Bahiaciência e enviado apenas três dias antes de seu precoce falecimento (Rememórias, página 8), chamo a atenção também para: os quadrinhos de Bruno Marcello nas três páginas finais da revista; o texto sensível de Sergio Mattos sobre Consuelo Pondé (outra grande perda de uma professora e querida amiga), abrindo a seção “Cultura e Humanidades” (página 64); o texto filosófico de Tessa Moura Lacerda, com ilustração/interpretação livre de Nara Lacerda Ferreira (página 68) e os textos sobre artes plásticas de José Bento Ferreira (página 70). E seria injusto não recomendar a vocês um olhar especial às fotografias de Léo Ramos e Fábio Marconi e ao trabalho de arte de Marina Oruê e Mayumi Okuyama.

Boa leitura!

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